Foi completamente revoltante ler matérias sobre o carnaval e perceber como realmente essa festa popular chegou a isso. Digo isso não apenas pelos problemas que envolvem a festa, como os preços altíssimos dos blocos, da polêmica a respeito dos cordeiros e/ou do “tamanho do circuito”, mas, principalmente porque todos se esqueceram dos remanescentes do carnaval.
Dodô e Osmar são imprescindíveis a essa história e é importante ressaltá-los. Contudo, é incrível como falam - e exaltam excessivamente - Armandinho, Alceu Valença e Luís Caldas. Realmente, merecem receber méritos, pois são relevantes na história. O problema é que a mídia esquece de quem realmente ergueu e deu brilho e luz a festa. Moacyr Soares e Almério Machado são dois desses remanescentes que iniciaram e levantaram o trio elétrico. Homens que, com suas guitarrinhas elétricas, banjos e guitarras havaianas trouxeram alegria a multidões, com seus arranjos musicais e brincadeiras.
Muito antes de Luiz Caldas surgir, esses músicos que tocavam no Tapajós já brilhavam nos “palcos ambulantes” e não são lembrados nem pelo próprio Orlando Campos, em entrevista. Ele deve se lembrar de quando Moacyr e Almério encantavam platéias e multidões. Só não consigo entender porque não cita em nenhum momentos os músicos que fizeram sua invenção ser o que é hoje. O próprio jornal A Tarde fez uma matéria com Moacyr Soares, há alguns anos atrás, sobre a história dele com os antigos carnavais e da intenção de reavivá-lo com o projeto Varanda Elétrica. Chegaram a se apresentar na porta de casa marcinhas de carnaval, foram visitados pelos repórteres da TV Itapoan na época que inclusive, batizaram nome do grupo.
Hoje, Moacyr perdeu parte da memória recente. O carnaval não foi esquecido. Foi, é e sempre será sua maior paixão. Infelizmente, por falta de verbas não pudemos registrar o nome Varanda Elétrica e atualmente, é utilizado por Carlinhos Brown e os “ditos amigos de meu pai”.
Dessa forma, estão contando a metade dos 60 anos do carnaval, simplesmente porque uma das melhores partes foi esquecida. A história é uma bagunça.
Filme sobre ele
sexta-feira, janeiro 08, 2010
60 anos de "futilidade"
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