sexta-feira, dezembro 04, 2009

Com mil raios e trovões

O título é o bordão do personagem Dr. Victor, de Sergio Manberti, no infantil Castelo Ra-tim-bum (♥)

Hoje, com fogos na alvorada às 5h e em ritmo de festa e louvor que boa parte da população soteropolitana se vestiu de vermelho e branco. Tudo isso, devido ao dia de Santa Bárbara, conhecida também como Iansã, que na parte espiritual, é a dona dos raios e trovões. Em dois bairros populares da cidade houve festa. Na Liberdade, onde possui uma pequena igreja para a santa, teve um “transito humano”. No Pelourinho, onde tem tradicional missa campal e é o local principal da festa também esteve cheia. Em ambos lugares, cada devoto tinha camisas estampadas, imagens nas mãos, quadros com foto da santa, fitinhas e badulaques. Tudo relacionado à fé.

A missa campal, que é feita em frente à Igreja do Rosário dos Homens Pretos no Pelourinho – que atualmente está em reforma – teve início às 9h para os fiéis poderem reverenciar a dona do dia. Passou a ser feita do lado de fora desta igreja, porque o local vivia lotado. Assim, houve mais mobilidade e conforto aos devotos.

Confira no Leia Mais, um texto sobre o cortejo da festa, de quando começa até o final da parte religiosa.



A missa foi celebrada pelo padre Gabriel (que tem mais ou menos um ano na paróquia) e fez muita gente se emocionar (inclusive eu que, não se porque, sempre choro na missa). O palco onde ele se encontrava estava muito bem ornamentada. Com uma imensa foto da Santa ao fundo, juntamente com desenhos de rosas vermelhas e uma mesa que foi coberta com um pano vermelho e vazado, por sobre um branco – para dar mais destaque a vermelha – que estava escrito 'Santa Bárbara' em partes do pano, dava o tom da festa. As ruas muito bem ornamentadas pelos moradores e comerciantes da área faziam com que beleza e elegância se misturassem e complementassem o clima de festa. Os cânticos entoados também trouxeram brilho e glamour a festa.

Os comerciantes também estavam presentes para lucrar com os festejos. Fitinhas, chaveiros e santinhos eram vendidos emquanto a missa acontecia. (logo na entrada, minha avó, uma colega, minha mãe e eu fomos abordadas por uns 4). Os que vendiam bebidas também se encontravam presentes. Não só água e refrigerante. Cerveja e batidas também eram vendidas, já que, ao final da parte religiosa, a profana sempre tem que estar presente (virou meio que rotina em Salvador, fazer o que!).

(Fui trabalhar 5minh antes da saída dos andores, mas minha mãe me contou... valeu veia!) O andor da santa saiu – para o longo trajeto – de dentro da igreja - ricamente enfeitado - para a procissão. A imagem não foi a utilizada sempre, pois está em reforma, assim como as outras da igreja com São Sebastião, Cosme e Damião, Santo Antônio, São Lourenço e São Roque. A procissão saiu era quase 11h, passando pelas ruas do Centro Histórico, Terreiro de Jesus, Praça da Sé, Rua da Misericórdia, Ladeira da Praça, Baixa dos Sapateiros – entrando pelo Corpo de Bombeiros, uma vez que ela é Patrona da Corporação, sendo um dos momentos mais bonitos e o ponto alto – da procissão, visto que a imagem existente no local se encontra com a da igreja. Os bombeiros oferecem o tradicional caruru dentro da praça da corporação. Após a saída, ainda na Baixa do Sapateiros, a procissão chega ao mercado São Miguel e os fiéis que carregam o andor, o viram de frente a entrada do estabelecimento, para o andor com a imagem de São Miguel vem, carregada pelos trabalhadores do local, para recebê-la e a homenagear. Depois, o andor de Santa Bárbara entra na estreita rua do mercado Santa Bárbara (ainda na Bx do Sapateiro), único local que há uma certa confusão por ser uma rua apertada. E, ao retornar ao Igreja, deu-se o fim da parte religiosa para muitos ali presentes.

Depois, parte profana, todo mundo já conhece... aproveitando as barraquinhas de rosca ali presente e os inúmeros bares abertos, hora da "diversão". Muitos ficam ali o dia todo, retornando para suas casas por volta das 20h (porque quando minha mãe trabalhava no Fórum Ruy Barbosa e eu estava com ela, via o povo voltar... os ônibus de “vermelho e branco”...).

Mas é assim... na Bahia, desde agora até o carnaval, toda festa religiosa tem um final profano... provavelmente isso acontecerá com a festa de Nossa Senhora (Oxum, no sincretismo), no dia 8 próximo, e no ano que vem, nas festas de Bom Jesus dos Navegantes, lavagem do Bonfim... “Viva a Bahia”...

Eparrêi Iansã, dona do fogo, raios e trovões...


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